Estilo não se copia se revela
Respire luz, viva sua melhor versão.


O Estilo Como Extensão da Essência
Estilo não é sobre seguir tendências cegamente. Não é sobre usar o que está na vitrine ou o que está na moda agora só porque alguém disse que “é o que veste”. Estilo é a forma mais verdadeira de mostrar ao mundo quem somos sem precisar dizer nada. Ele nasce primeiro dentro de nós e, só depois, se revela no tecido, no corte, no jeito que vestimos a vida. Desde criança sempre entendi isso, mesmo sem saber nomear. Eu gostava de desenhar roupas, de transformar, de reinventar. Enquanto algumas crianças brincavam com bonecas, eu brincava com agulha e linha (também fazia roupinhas para bonecas). Minha madrinha, com suas mãos cuidadosas, fazia com que minhas ideias virassem verdade. Eu desenhava, mostrava e ela costurava cada ponto era feito com carinho, como se ajudasse a dar forma a algo que existia em mim. Minha mãe nem sempre aprovava no começo. Muitas vezes eu escolhia uma blusa ou um vestido que, para ela, “não era pra ser cortado”. Mas algo em mim pedia para cortar. Era como se aquela peça tivesse outro destino. E eu cortava. E, no final, minha mãe olhava de novo, sorria e dizia: “Ficou bonito… ficou sua cara.” Foi ali que entendi: estilo é coragem. É se permitir ser quem somos, mesmo quando o mundo espera outra forma. Hoje, o universo da moda se expande muito além das passarelas e revistas. Ele convoca consciência, respeito pela diversidade, sustentabilidade. A moda contemporânea fala de escolhas, escolhas que refletem nossa ética, nossos valores, nosso cuidado com o planeta e com as pessoas. Vestir-se bem não significa apenas acompanhar o que está em alta, mas entender o impacto das peças que escolhemos, como elas foram feitas, com que materiais, por quem, em que condições. Por isso, o estilo que defendo não se limita a um corpo, a um padrão, a uma temporada. Ele abraça a pluralidade de formas, cores, corpos, histórias. Ele reconhece que cada corpo é singular, que cada essência é única. Ele celebra quem somos com nossas curvas, nossos traços, nossas marcas e cicatrizes. Estilo não se copia se revela. Ele está nos detalhes, na textura do tecido, na cor que nos chama, no caimento que abraça o corpo, no corte que libera movimentos, no ajuste que faz a peça conversar com quem a veste. Ele surge quando escolhemos conforto emocional, quando preferimos o valor de uma peça duradoura do que o brilho passageiro de uma tendência descartável. O mundo da moda muda rápido coleções vão, coleções vêm. Mas o estilo verdadeiro permanece, porque não depende de modismos. Depende de presença, de consciência e de identidade. E estilo também é liberdade. Liberdade para experimentar, para errar, para ousar liberdade para escolher algo que faz sentido no momento, para amar brilho hoje e algodão cru amanhã, para viver fases, para ser plural. Porque estilo cresce junto com quem somos. Vestir-se pode ser um ritual de reconexão. O toque de um tecido, o som da tesoura cortando um novo corte, o cheiro da roupa lavada com cuidado, o caimento de uma peça que abraça o corpo como um segundo lar, tudo comunica. Tudo revela. Tudo tem vida. O estilo que acredito, e que acompanha a revista LÚMEN, é esse: um estilo que nasce de dentro, da essência. Um estilo consciente, gentil, que respeita o planeta, as pessoas, o corpo. Que entende que moda é expressão da nossa história, da nossa visão, da nossa ética, dos nossos desejos. É um estilo que lembra a menina que cortava roupas escondida, que inventava moda antes mesmo de saber o que era moda. Aquela menina continua viva, apenas cresceu. E agora sabe que estilo é, acima de tudo, uma forma de expressão profunda e verdadeira. Quando nos vestimos com o que realmente somos, a vida se ajusta. O mundo começa a entrar no ritmo da nossa própria melodia.
Simone Camargo